Como funciona o VAR: o que pode (e o que não pode) ser revisado
Futebol · Atualizado em 26 de junho de 2026
O VAR (árbitro assistente de vídeo) mudou o futebol — mas boa parte da frustração dos torcedores vem de não saber o que ele pode fazer. O protocolo, definido pela IFAB (o órgão que escreve as regras do jogo), é bem mais restrito do que parece.
As quatro situações revisáveis
O VAR só pode intervir em quatro tipos de lance:
- Gol ou não gol: qualquer irregularidade na jogada que originou o gol — impedimento, toque de mão do atacante, falta no início da jogada, bola que saiu de campo antes do cruzamento;
- Pênalti ou não pênalti: tanto para marcar um pênalti não assinalado quanto para anular um marcado incorretamente;
- Cartão vermelho direto: expulsões por jogada violenta, cotovelada, entrada criminosa — mas não o segundo cartão amarelo, que é irreversível pelo protocolo;
- Identidade trocada: quando o árbitro pune o jogador errado.
Fora dessas quatro caixas, o VAR não existe. Um escanteio marcado errado que origina um gol? Revisável (faz parte da jogada do gol). Uma falta dura no meio-campo sem cartão vermelho? Não revisável. Um segundo amarelo injusto? Não revisável.
"Erro claro e óbvio"
O VAR não foi criado para rearbitrar o jogo, e sim para corrigir erros claros e óbvios — ou incidentes graves que o árbitro não viu. Na teoria, se a decisão de campo for defensável, ela deve ser mantida, mesmo que a cabine fizesse diferente. Na prática, a régua do que é "claro e óbvio" varia entre ligas e árbitros, e é aí que mora a maior parte das polêmicas.
Lances fatuais — impedimento e bola fora — não dependem dessa régua: ou o atacante está além da linha, ou não está. É por isso que impedimentos milimétricos são anulados sem cerimônia, enquanto pênaltis duvidosos frequentemente ficam como o árbitro marcou.
O passo a passo de uma revisão
- A equipe de vídeo (um árbitro de VAR e assistentes, numa cabine com acesso a todas as câmeras) monitora todos os lances continuamente;
- Ao identificar um possível erro em situação revisável, o VAR comunica o árbitro pelo ponto eletrônico;
- Para decisões fatuais (impedimento, bola fora), o árbitro pode acatar diretamente a informação;
- Para decisões interpretativas (pênalti, vermelho), a recomendação é a revisão no monitor à beira do campo — o famoso "on-field review", sinalizado com o desenho de uma tela no ar;
- A decisão final é sempre do árbitro de campo. O VAR recomenda; não decide.
O que o VAR não resolve
O protocolo foi desenhado para interferir o mínimo possível — "mínima interferência, máximo benefício" é o lema oficial. Isso significa conviver com algumas frustrações por design:
- Faltas e cartões amarelos errados seguem valendo;
- O critério de pênalti continua sendo interpretação humana, agora em câmera lenta — o que às vezes distorce a percepção da força de um contato;
- O tempo de revisão alonga os acréscimos, e a comemoração de gol ganhou um asterisco mental de "espera o VAR".
Competições diferentes usam versões diferentes da tecnologia: as maiores contam com impedimento semiautomático e chip na bola; outras fazem as linhas manualmente, o que explica revisões mais demoradas.
Nos placares ao vivo do Strack, decisões revisadas aparecem na narração lance a lance da partida — incluindo gols anulados e pênaltis marcados após revisão.
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