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A regra do impedimento, explicada de uma vez

Futebol · Atualizado em 25 de junho de 2026

Nenhuma regra do futebol gera tanta discussão de bar quanto o impedimento. A boa notícia: o conceito central cabe numa frase. A má: os detalhes é que causam as polêmicas. Vamos por partes.

A regra em uma frase

Um jogador está em posição de impedimento quando, no momento do passe de um companheiro, está no campo de ataque mais perto da linha de gol adversária do que a bola e do que o penúltimo adversário (normalmente, o último defensor de linha — porque o goleiro costuma ser o último).

Três esclarecimentos que resolvem 90% das discussões:

  • Estar em posição de impedimento não é infração. A infração só acontece se o jogador em posição irregular participar da jogada: tocar na bola, disputar com um adversário, atrapalhar a visão do goleiro ou tirar proveito de rebote;
  • O momento que vale é o do passe, não o da recepção. Um atacante pode receber a bola atrás da linha da defesa sem estar impedido — desde que, no instante do lançamento, estivesse em posição legal;
  • Não existe impedimento em recuo de adversário, arremesso lateral, escanteio e tiro de meta, nem no próprio campo de defesa.

Quais partes do corpo contam

Contam as partes com que se pode marcar gol legalmente: cabeça, tronco e pés. Braços e mãos não contam — nem do atacante, nem do defensor. É por isso que os frames do VAR desenham linhas no ombro, no joelho ou na ponta da chuteira: basta qualquer parte "jogável" do corpo estar além do penúltimo defensor para caracterizar a posição irregular.

O toque do defensor muda tudo (às vezes)

Se um defensor joga a bola deliberadamente (um passe errado, um corte mal executado com controle), o atacante que a recebe não está impedido, mesmo que estivesse em posição irregular. Mas se o toque do defensor for um desvio involuntário ou uma defesa de emergência, o impedimento permanece. A distinção entre "jogada deliberada" e "desvio" é uma das áreas mais cinzentas da regra — e fonte frequente de polêmica com o VAR.

O impedimento semiautomático

Nas principais competições do mundo — Copa do Mundo, Champions League e várias ligas nacionais —, o VAR conta com o impedimento semiautomático (SAOT, na sigla em inglês). O sistema combina câmeras que rastreiam dezenas de pontos do corpo de cada jogador com um sensor dentro da bola, que registra o momento exato do passe.

O resultado: a linha do impedimento é traçada automaticamente, em segundos, e a decisão chega ao árbitro com uma animação 3D. O objetivo não é eliminar o julgamento humano — a definição de "participar da jogada" continua sendo interpretada pelo árbitro — mas acabar com a demora e a imprecisão do desenho manual das linhas.

Por que a defesa "joga com a linha"

Entender o impedimento explica uma das táticas mais importantes do futebol moderno: a linha alta. Defesas que sobem em bloco tentam deixar o atacante em posição irregular no momento do passe — a chamada "armadilha do impedimento". O risco é evidente: um passe no tempo certo e o atacante sai cara a cara com o goleiro. É o jogo do gato e rato que decide boa parte dos gols (e dos gols anulados) de uma temporada.

No Strack, os gols anulados por impedimento aparecem na narração lance a lance de cada partida — com o placar ao vivo atualizado só depois da revisão.

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